
Transtornos alimentares são condições psíquicas em que o sintoma-chave é uma perturbação na relação do indivíduo com a alimentação, o que geralmente resulta em alterações de peso e/ou deficiências nutricionais. No caso da anorexia, da bulimia e da vigorexia também existe uma preocupação excessiva com o peso e as formas corporais.
A seguir uma breve descrição de cada um dos transtornos.
Anorexia Nervosa:
É o transtorno alimentar mais conhecido e geralmente o mais complexo para se tratar.
As características principais são:
. Restrição na ingesta de alimentos que causa diminuição considerável de peso. Define-se como perda de peso significativa um peso que está 15% ou mais abaixo do mínimo para estatura, sexo e idade e/ou o IMC menor que 16,5. IMC é a sigla para índice de massa corporal, um cálculo através do qual é definido se o peso de um indivíduo é normal ou anormal. É calculado dividindo o peso por altura ao quadrado (P/A2). Considera-se normal os valores entre 18,5 e 25. Por exemplo, alguém com 60Kg e 1,70m: 60/(1,70)2 = 60/2,89 = 20,76. 20,76 está no intervalo de peso normal.
. Medo intenso de ganhar peso.
. As formas corporais e o peso são vistos e considerados de forma muito distorcida. É muito comum que o indivíduo, apesar de estar extremamente magro, quando em frente ao espelho enxerga-se muito obeso.
. A auto-avaliação sobre a identidade e o próprio valor são muito dependentes das formas corporais e do peso.
. Amemorreia (ausência de menstruação) é muito comum.
Existem dois subtipos de anorexia:
Restritivo: a perda de peso ocorre apenas por restrição na ingesta calórica ou então por comportamentos para perda de peso que não envolvam purgação (exemplos de purgação: indução de vômitos e uso de purgativos). Geralmente o emagrecimento é buscado através de dietas, jejum e exercícios físicos.
Compulsão alimentar purgativa: existem episódios recorrentes de ingesta de grandes quantidades de alimentos que são seguidas pela indução de algum método purgativo, tais como, uso de laxativos e indução de vômitos.
Algumas características de personalidade são mais comuns em pessoas com anorexia nervosa. Geralmente são perfeccionistas com tudo o que fazem e têm baixa autoestima. Em relação às suas famílias, também encontramos algumas características que são mais frequentes que na população em geral, tais como pais extremamente exigentes, rígidos e super-protetores.
A distribuição entre os sexos demonstra que é mais frequente em mulheres que em homens, numa proporção de 10:1. É mais comum em classe média alta e ricos, brancos e sociedades ocidentais. Em relação à idade, tende a iniciar na adolescência. Assim, 40% dos casos são de mulheres com idade entre 15 e 19 anos.
Em relação ao prognóstico, em cinco anos 50% tem remissão dos sintomas.
O tratamento é feito basicamente com psicoterapia, sendo a Terapia Cognitivo-comportamental focada na anorexia a mais indicada. Antidepressivos e antipsicóticos podem ser necessários também.
Bulimia Nervosa:
A diferença fundamental entre a anorexia e a bulimia é que na primeira há baixo peso, enquanto que na segunda não. As principais características são:
. Episódios recorrentes de compulsão alimentar, com ingesta de grandes quantidades de alimentos.
. Comportamentos compensatórios inapropriados, tais como jejum por longos períodos, exercícios extenuantes, uso de laxativos e indução de vômitos.
. Assim com na anorexia, a autoavaliação é exageradamente baseada nas formas corporais e no peso.
Pode-se perceber que a bulimia nervosa é semelhante à anorexia nervosa do subtipo compulsão alimentar purgativa. A diferença entre ambas é que na bulimia não há baixo peso, enquanto que na anorexia o emagrecimento exagerado é um sintoma-chave.
Em geral o peso é normal (IMC 18,5 a 25) ou acima de média (IMC>25).
Assim como na anorexia, a distribuição entre os sexos demonstra que é mais frequente em mulheres que em homens, numa proporção de 9:1. Também é mais comum em classe média alta e ricos, brancos e sociedades ocidentais. O pico de ocorrência é no final da adolescência ou início da idade adulta, um pouco mais tarde que a anorexia.
O tratamento é feito basicamente com psicoterapia, sendo a Terapia Cognitivo-comportamental focada na bulimia nervosa a mais indicada. Antidepressivos e antipsicóticos podem ser necessários também.
Vigorexia:
A vigorexia ainda não é considerada um diagnóstico em psiquiatria. Apesar disso, evidências de estudos observacionais demonstram ser uma condição com características bem definidas e com um padrão muito próprio de evolução e prejuízo funcional. Os principais sintomas são:
. Apesar de o indivíduo ter corpo musculoso, enxerga-se como muito magro e fraco.
. A autoavaliação sobre seu valor e importância é altamente baseado nas formas do corpo.
. Existe um envolvimento excessivo em exercícios de musculação.
. A autoestima é muito baixa.
É mais comum em homens entre 18 e 35 anos.
O uso de anabolizantes é muito comum, colocando o indivíduo em risco de vários efeitos adversos agudos e crônicos. Em relação à alimentação, esta é feita com grandes quantidades de proteína.
Transtorno de compulsão alimentar:
Este transtorno é caracterizado por episódios repetidos de compulsão alimentar, quando há ingesta de quantidade excessiva de comida com perda de controle sobre o que está sendo ingerido.
Diferentemente da anorexia nervosa e da bulimia nervosa, não há comportamentos compensatórios pelo excesso de comida ingerida. Existe apenas a compulsão. Também não há preocupação com peso e formas corporais ou autoavaliação baseada em peso ou formas corporais.
Os portadores geralmente são obesos.
O tratamento é feito com psicoterapia.
Pica:
Trata-se de uma patologia em que o indivíduo ingere substâncias que não são nutritivas e nem alimentares. Por exemplo, pode ser ingerido cabelo, terra e pequenas pedras. É mais comum em portadores de Deficiência Intelectual (denominada anteriormente de Retardo Mental), autismo e esquizofrenia.
Transtorno de Ruminação:
Chama-se de regurgitação o refluxo de alimentos a partir do esôfago e/ou estômago de volta para a boca. Quando oriundos do estômago, os alimentos podem estar parcialmente digeridos. Não é precedido e nem sucedido por náuseas ou contrações intensas de músculos abdominais.
Em bovinos a regurgitação faz parte do processo de alimentação, pois regurgitam, mastigam e engolem inúmeras vezes o alimento. Em seres humanos, a regurgitação que ocorre por mecanismos psíquicos é chamada de ruminação. Assim, o transtorno de ruminação é caracterizado por regurgitação do alimento sem causas físicas que é mastigado novamente, cuspido ou engolido novamente.
Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo:
A patologia é mais comum em crianças e se apresenta como uma perturbação alimentar em que o indivíduo evita uma grande quantidade de alimentos em função de caraterísticas sensoriais (paladar, odor, etc) ou então por preocupações sobre as consequências de tais alimentos no seu organismo. Esta evitação causa deficiências nutricionais ou impossibilita a aquisição de um peso adequado para o sexo e idade. Pode ser tão grave que exija alimentação através de sonda nasogástrica.
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